As Selvagens são constituídas por dois grupos de pequenas Ilhas, das quais se destacam a Selvagem Grande, a Selvagem Pequena e o Ilhéu de Fora. Estão situadas a cerca de 163 milhas da Ilha da Madeira e representam o extremo Sul do território nacional.
A Reserva Natural das Ilhas Selvagens foi criada em 1971, sendo uma das mais antigas Reservas Naturais de Portugal. Actualmente é a única reserva portuguesa galardoada com o Diploma Europeu do Conselho Europa.
A sua criação fica a dever-se à necessidade de defender a avifauna marinha aí nidificante contra a intensa predação humana, que se intensificou sobremaneira com o aparecimento dum cada vez maior número de barcos de pesca a motor.
A gestão desta Reserva está a cargo do Serviço do Parque Natural da Madeira desde os fins de 1989 e a sua vigilância permanente, iniciada em 1976, é actualmente efectuada pelos elementos do Corpo de Vigilantes da Natureza (CVN).
De um ponto de vista global, o objectivo da Reserva Natural das Ilhas Selvagens é o de contribuir para a manutenção da biodiversidade mundial. Esta contribuição envolve três grandes áreas da gestão da vida selvagem:
- Protecção de importantes áreas de nidificação de aves marinhas pouco comuns
- Protecção duma flora muito importante com algumas espécies únicas
- Manutenção dos stocks de pesca daquela área do Atlântico.
Fauna e Flora
A vegetação das Selvagens, outrora usada com fins comerciais através da apanha da urzela, líquenes do género Nemaria que eram exportados para a Flandres, reveste-se, hoje em dia, de um grande interesse científico. Presentemente, existem cerca de 105 espécies de plantas, na sua generalidade de porte rasteiro.
A riqueza da vegetação destas ilhas assume particular relevo na Selvagem Pequena e Ilhéu de Fora. Estas duas, pequenas, bastante inóspitas e remotas, nunca foram alvo de qualquer tentativa de colonização inclusive a introdução de herbívoros. Este facto traduz-se nos nossos dias numa espectacular riqueza em termos de vegetação, contando as mesmas com nove dos 11 endemismos de todo este sub-arquipélago. Espécies como Lobularia canariensis (DC.) Borgen ssp. rosula-venti (Svent.) Borgen, Scilla maderensis Menezes var. melliodora Svent., Limonium papillatum var. callibotryum, Lotus salvagensis Murr. e Euphorbia anachoreta Svent. são o exemplo real desta fabulosa riqueza. Refira-se que este último taxon só ocorre no Ilhéu de Fora.
Em virtude das condições que estas ilhas apresentam para a nidificação de aves marinhas são, vulgar e justamente, consideradas como um "santuário ornitológico". De todas as espécies que aqui nidificam o destaque vai para a extremamente numerosa colónia de cagarras (cerca de 13600 casais). No que diz respeito às outras espécies destaca-se o Calcamar, Pelagodroma marina, a Alma Negra, Bulweria bulwerii, o pintainho, Puffinus assimilis, e o raríssimo Garajau Rosado, Sterna dougalli.
Temos ainda a referir a osga, Tarentola boettgeri bischoffi, outro endemismo destas Ilhas e a existência de um coleoptero endémico do Ilhéu de Fora, Deuchalion oceanicus que vive exclusivamente associado a uma planta hospedeira,também endémica, a Euphorbia anachoreta.
Este projecto foi co-financiado pelo Programa Madeira Digital
