As caminhadas são a melhor opção para quem quer descobrir a Madeira.
Não há melhor meio para conhecer a ilha da Madeira do que percorrê-la a pé através das suas veredas e das mundialmente conhecidas “Levadas”, desfrutando de uma paisagem desconhecida e deslumbrante.
As “Levadas” são canais de irrigação primitivos, que percorrem um total de 1500 Km, por entre vales e montanhas, que permitem aceder ao coração da ilha. Integram-se num conjunto de áreas protegidas, das quais se destacam o Parque Natural da Madeira e o Parque Ecológico do Funchal. Ao longo destes cursos de água encontram-se espécies de fauna e de flora raras no Mundo pertencentes à Floresta Laurissilva da Madeira, floresta relíquia, distinguida como Património Natural Mundial.
Podemos observar aves como o Pombo Trocaz (Columba trocaz), a Freira da Madeira (Pterodroma madeira), o Tentilhão (Fringila coelebs maderensis) e o Bis-Bis (Regulus ignicapillus maderensis) e árvores como o Til (Ocotea foetens), o Loureiro (Laurus azorica) ou o Vinhático (Persea indica), além de muitos outros arbustos, plantas e musgos únicos no mundo.
A maioria dos percursos existentes são acessíveis existindo, no entanto, vários graus de dificuldade, pelo que se recomenda a compra de programas organizados pelas Empresas de Animação Turística, ou a leitura das descrições aqui apresentadas.
Os primeiros povoadores da Madeira começaram a cultivar as encostas mais baixas do sul da ilha, cortando poios (socalcos) ao mesmo tempo que construíam as primeiras pequenas levadas, que transportavam água das nascentes mais acima nas encostas dos montes até às suas terras. A primeira legislação a regulamentar a utilização das levadas e os direitos de água data da segunda metade do século XV.
Nos princípios do século XX, havia cerca de 200 destas levadas, serpenteando por mais de 1000km. Muitas pertenciam a particulares e a apropriação indisciplinada de água fazia com que o bem mais valioso da ilha fosse frequentemente distribuído de forma injusta. De facto, em meados da década de 1930, apenas dois terços da terra arável da ilha estavam a ser cultivados - e apenas metade desses eram irrigados.
Só o Estado possuía os meios económicos necessários para implementar um programa de construção em larga escala e a autoridade para impôr um sistema mais equitativo de distribuição.
Tais cursos de água não são exclusivos da Madeira, o que é único é a sua acessibilidade e extensão. O sistema de irrigação da ilha é actualmente composto por uns impressionantes 2150 km de canais, incluindo 40km de túneis.
