Pouco mais de um quilómetro de estrada é o que separa a Pousada dos Vinháticos da Central Hidroeléctrica da Serra de Água. A partir daqui e até à Eira do Mourão, pela Levada do Norte, há uma certeza: emoções fortes! São cerca de dez túneis que, todos juntos, somam uma extensão de 3325 metros. Alguns quilómetros à beira de precipícios sem protecção são, igualmente, presença certa neste percurso. Portanto, este trajecto tem todos os atributos de uma boa aventura, mas cuidado, um deslize pode ser desastroso.
Vamos começar o passeio?
O Ponto de partida é a Pousada dos Vinháticos. A levada nasce na Central Hidroeléctrica da Serra de Água e até ao primeiro túnel, situado a pouco menos de um quilómetro da Central, o percurso não oferece inconvenientes. O segundo túnel tem o dobro do comprimento do primeiro e aqui já é aconselhável o uso de uma lanterna. Vários fetos, Castanheiros, Nogueiras e Seixeiros estão à espera de quem acaba de sair deste túnel. Meio quilómetro depois, cuidado com o fio de água que cai sobre a levada. Uns metros mais à frente, a Ribeira do Poço irrompe e a levada passa por cima de uma ponte. Depois desta ponte, prepare-se para 1100 metros de túnel baixo e alagado. É recomendável o uso de uma protecção para a cabeça. Galgado este túnel, outro será encontrado até chegar ao vale da Ribeira do Pico onde se abre um outro túnel de 3000 metros que só termina perto da Terra Chã, no Curral das Freiras, no entanto, este túnel não se encontra aberto aos caminhantes, e assim o percurso deve continuar pela Levada do Norte. Existem troços onde a esplanada da levada ganha mais espaço e é possível espreitar a paisagem e, com sorte, observar o voo de um Pombo Trocaz ou de um Columbídeo. Eis que surge o quinto túnel, amplamente alagado e repleto de lama nos seus 200 metros de comprimento. As vistas da Serra de Água indemnizam o esforço feito por quem acabou de atravessar o quinto túnel. Até ao oitavo túnel não existem dificuldades de maior, mas, à saída deste último, prepare-se para uma queda de água sobre a levada e para um piso escorregadio e sem protecção para o abismo mesmo ao lado. Surge o nono túnel que é extenso e alagado, este é o túnel do Espigão e daqui até a Eira do Mourão existe apenas mais um pequeno e fácil túnel e a vereda paralela à levada que continua sem protecção.
A Eira do Mourão ganhou vida quando, em 1952, a água da Levada do Norte começou a correr na sua direcção. Chegados a este modesto núcleo populacional, existem duas opções: seguir na Levada do Norte até à Boa Morte num percurso que soma ao anterior cerca de três quilómetros e meio ou descer para a Fajã da Ribeira, na margem esquerda da Ribeira Brava, tendo que, para isso, percorrer mais cerca de dois quilómetros a descer.
Bibliografia:
Quintal, Raimundo.(2004). Levadas e Veredas da Madeira. Funchal: Edições Francisco Ribeiro
